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William Young, autor do romance de sucesso 'A cabana', conta que não pretendia publicar o livro
Um acidente levou o canadense William Young e seu livro "A cabana" (Editora Sextante) ao topo da lista de mais vendidos no Brasil e nos Estados Unidos. A obra sequer foi escrita para ser publicada. Segundo o autor, que está no Brasil para comemorar os 100 mil exemplares vendidos em dois meses, a fábula do encontro de um homem com Deus no mesmo lugar onde sua filha caçula foi brutalmente assassinada, foi escrita para ser dada de presente de Natal aos filhos.LEIA MAIS, click abaixo
- Minha mulher me pediu para escrever uma história como um presente. Não tive dinheiro para imprimir o manuscrito no Natal de 2005. Mas consegui depois do Natal fazer 15 cópias de "A cabana" para entregar à família e amigos próximos. Era este o único objetivo. Muito da minha história está no livro - lembrou o autor, que cresceu em Papua Nova Guiné com seus pais missionários e estudou religião em Oregon, nos Estados Unidos.
Deus é uma negra, o Espírito Santo uma chinesa e Jesus um jovem do Oriente Médio. Todos pregam a igualdade e a liberdade
As crianças, como ele esperava, não se entusiasmaram muito. Mas alguns amigos leram imediatamente e começaram a repassar o livro para pessoas próximas. Young começou a receber e-mails de pessoas que nem conhecia dizendo que o livro impactara suas vidas. Ele decidiu enviar uma cópia de "A cabana" para um escritor que conhecia, que repassou o livro para dois produtores de cinema, Wayne Jacobsen e Brad Cummings.
Após um encontro entre os produtores e Young, a história de Mackenzie Allen Philips foi reescrita quatro vezes em 16 meses até que a versão final foi enviada a 26 editoras norte americanas, metade delas religiosa. A maioria sequer respondeu.
- As editoras cristãs acharam o livro herético. Já as que não eram religiosas acharam que havia muito Jesus. Tínhamos um livro e nenhuma editora o queria.
Então Jacobsen e Cummings criaram uma editora só para lançar "A cabana" nos EUA. Resultado: há 20 semanas, o livro está na lista dos mais vendidos do jornal "The New York Times". Um fenômeno de público causado pelo marketing do boca-a-boca. Já foi traduzido para 36 idiomas e, segundo o autor, vendeu em todo o mundo mais de 4 milhões de exemplares.
Há ainda a possibilidade de "A cabana" virar filme, mas William Young é cauteloso. Ele explica que é detentor dos direitos autorais do livro, mas seis grandes estúdios estão interessados na adaptação.
- Eu não ligo para fazer um filme. Nem ligava para escrever um livro. Escrevi para meus filhos. Quero estar envolvido em coisas que Deus abençoe. Não quero mais fazer coisas e pedir para Deus abençoar porque eu acho que seja uma boa idéia. Muitas negociações estão acontecendo. Não estamos selecionando elenco. A princípio temos um diretor e um dos melhores roteiristas. Então, veremos.
O livro foi escrito após William Young ter sofrido a perda de sua sobrinha e de seu irmão. O autor conta que também sofreu abuso sexual quando tinha quatro anos. Sua relação com o pai é complicada, assim como Mackenzie no livro.
- Mack sou eu. Mas o que ele vive no livro em um fim-de-semana foi um processo que eu vivi em 11 anos.
No livro, três anos após o seqüestro e a morte de Missy, sua filha mais nova, Mack recebe um bilhete misterioso marcando um encontro na cabana onde a menina foi brutalmente assassinada. Ele vai e passa um fim de semana com a Santíssima Trindade.
Contrariando todas as expectativas do personagem, Deus se personifica como uma mulher negra, grandona, que cozinha para Mack. O Espírito Santo é uma chinesa ou mongol multicolorida e volátil que cuida do jardim. Jesus é um jovem do Oriente Médio que conserta e constrói coisas. Todos pregam a igualdade, o fim das hierarquias, a liberdade e são contra a culpa, as regras e as instituições. É uma visão bastante libertária do amor, do perdão, da redenção, do sagrado e do humano.
Comentário do Casados em Cristo: Por aquilo que lemos a respeito do livro, a crítica é de que tem um momento de contato com a menina morta, o que seria uma doutrina espírita. Dizem que excluindo isso, o livro é recomendável.